Jorge Aragão lança sua obra no projeto “Sambabook” com várias participações
Jorge Aragão lança sua obra no projeto “Sambabook” com várias participações
No ano do centenário do samba, Jorge Aragão tem sua obra lançada na quinta edição do projeto Sambabook, que homenageou João Nogueira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara nas edições anteriores.

Para o cantor e compositor, que celebra 40 anos de carreira, é motivo de orgulho ter a obra dele reverenciada com este lançamento. “Eu vejo tanta gente que merecia ser o quinto homenageado, com uma história mais tradicional no samba que seria coroada, como Paulinho da Viola, Wilson Moreira, Nei Lopes e Monarco. Para mim, não há nada parecido com que eu já tenha feito, no sentido de mostrar tão bem tudo da minha carreira e, principalmente, saber que todas as minhas partituras vão para bibliotecas, escolas, ONGs, ou seja, gente que trabalha com música e que não tem acesso. Desse modo, o ‘Sambabook’ é que está na frente do meu trabalho”, assegura.

No entanto, o cantor e compositor, autor de clássicos como “Moleque Atrevido”, “Vou Festejar”, “Coisinha do Pai” e “Globeleza”, reclama de ser taxado de “poeta do samba”.

Isso incomoda muito. Como sempre privilegiei mais o lado de compositor, enquanto autor eu me permito fazer qualquer coisa. Se quiser fazer um bolero, eu farei, mas não colocarei dez boleros no meu disco. Esses títulos limitam muito. Eu sou essencialmente compositor.

Dentro do projeto “Sambabook” serão lançados dois CDs, DVD, Blu-ray, livro, pasta de partituras, especial no canal Brasil e ambiente web com portal e rede sociais, e aplicativos para smartphones e tablets.

Manuela Scarpa/Photo Rio News

Elza Soares, que foi primeira intérprete de Jorge Aragão, canta “Identidade”
Para interpretar pérolas do vasto repertório do compositor foi convocado um leque bastante diversificado de cantores. Estão ali Elza Soares, a primeira intérprete de Jorge Aragão, ainda na década de 1970 e agora cantando “Identidade”; Beth Carvalho, que gravou originalmente alguns de seus maiores sucessos e agora dá voz à “Pedaço de Ilusão”; Sandra de Sá, que estourou “Enredo do Meu Samba” na abertura da telenovela “Partido Alto” nos anos 1980, agora em “Borboleta Cega”; Maria Rita (“Do Fundo do Nosso Quintal”), Lenine (“Toque de Malícia”) e Vander Lee (“Mutirão de Amor”), entre outros.
“Nunca imaginaria a Baby Consuelo cantando ‘Malandro’ e conseguindo jogar aquela coisa malandreada da Elza Soares da época; ver um Ivan Lins, ídolo máximo, brincar com uma música (‘Alvará’) e ver ele mesmo declarar o quanto gosta da música e curte o samba. Ou um Emicida, com outra vertente, cantar de verdade (‘Moleque Atrevido’); e a Anitta brincar de cantar samba (em ‘Coisinha do Pai’)”, comemora Jorge Aragão.

Há também a participação do grupo Fundo de Quintal, do qual ele se considera um dos fundadores, em “Resto de Esperança”, talvez último registro do vocalista Mario Sergio, que morreu em maio deste ano. Aliás, uma semana antes, os dois haviam se encontrado numa reunião no Cacique de Ramos, onde tudo começou e Jorge Aragão aponta como a grande virada na carreira dele, até então um guitarrista solista de banda de baile.

E se há pouco tempo pensou em se aposentar, Jorge Aragão agora se compromete em seguir compondo e fazendo shows. “Eu estou na minha trajetória enquanto me considero atuante, consciente e papai do céu me dá saúde. Agora, sinceramente, não quero ser uma figura ambulante, sendo carregada daqui para lá para poder aparecer. Se eu não tiver mais condições, prefiro viver a minha velhice dentro da minha casa, porque acho que fiz o que tinha que fazer. Não quero que sintam pena de como estarei, mas, sim, que tenham orgulho de eu ter alcançado um patamar como esse. Num país que não tem memória, é um privilégio ser cultuado. Se chegar no meu limite, vou pedir para que me deixem ficar quietinho para poder curtir a minha lembrança”.