No próximo dia 31 de março (sábado), o grupo musical Ilê FunFun, fundado no Terreiro da Casa Branca, lança o CD Okan Mi Mo Orixá – Meu coração é do Orixá, composto por cânticos de candomblé da Nação Ketu e pela canção homônima ao álbum, de autoria do grupo. A obra chega ao mercado fonográfico cumprindo a função de preservar e difundir do arcabouço cultural que é a música dos Orixás, com apoio financeiro do Governo do Estado através Centro de Cultura Populares e Identitárias (CCPI) e Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

O lançamento acontece no Ilê Axé Yá Omim Lonan – terreiro ao qual o grupo hoje pertence -, em Cajazeiras, às 15h, com apresentação do Ilê FunFun, que mostrará canções do álbum. Para facilitar a participação no evento, que tem entrada franca, um ônibus sairá do Terreiro Casa Branca, na Federação, às 14h30. O CD, que a partir de então servirá como fonte de pesquisas e estudos, será distribuído gratuitamente para os presentes. No segundo semestre, estará disponível nas plataformas digitais.

“Registrar, salvaguardar e propagar valores culturais ancestrais faz-se necessário para qualquer cultura que pretenda ser cuidadosa, inclusiva e abrangente, respeitando as hierarquias de sua história”, realça o alabê Edvaldo Araujo, fundador do Ilê FunFun e, há mais de uma década, mentor de projeto de preservação da cultura musical e personagens do candomblé por meio de cursos, oficinas, palestras, apresentações e registros musicais.

O alabê realça que o CD valoriza simultaneamente três grandes ramificações da tradição afrobrasileira. “A número um é a própria entidade viva que é o terreiro da Casa Branca, primeiro do Brasil. A segunda é a música tradicional de matriz africana, cultuada não apenas por esse terreiro, mas também por toda a nação Ketu e por aqueles que entendem a importância dessa música como precursora da identidade da música baiana e brasileira. E finalmente o Grupo Ilê FunFun, nascido na Casa Branca em 2001 e hoje com uma trajetória de participação em diversos eventos e shows em Salvador”

O músico Alex Pochat, que assina a direção executiva do álbum, realça que uma obra com essas características apresenta uma importância que transcende o aspecto musical. “Pela riqueza musical, o álbum já seria suficiente em si mesmo. Além disso, ele salvaguarda identidades ao mesmo tempo que suscita reflexões sobre a construção de novas, em termos não apenas culturais, mas também sociais. Música, candomblé, Salvador, África, ontem e hoje, tudo em um só retrato musical”.